Conceito
   fusão atomica 1.jpg A fusão nuclear é um fenômeno, conduzido artificialmente (exceto quando ocorre em estrelas) em que dois ou mais núcleos, em condições propícias, se juntam, formando um outro núcleo mais pesado e liberando grande quantidade de energia. É considerada, por muitos, dessa modalidade ser uma forma limpa de produção, ser a mais segura que a atual produção nuclear de energia e ser renovável. O que dificulta sua produção são os altos gastos.

    Com o nascimento e desenvolvimento da física nuclear, campo em que se trabalharia com alterações no núcleo dos átomos, vieram as possibilidades de fissão e fusão nuclear. A fissão é a prática em que, através de um bombardeamento num núcleo, o mesmo se dividisse, liberando grande energia. Prova dessa grande quantidade de energia liberada na fissão nuclear foi a bomba atômica, usada na Segunda Guerra Mundial. Além do uso bélico comprovado, mais tarde se começou a usar a fissão nuclear como forma de produção de energia (a energia nuclear que temos hoje). No entanto, a outra opção, a fusão nuclear, ainda não teve o mesmo grau de aplicação da fissão.

    Na fusão nuclear, ocorre uma união em dois ou mais núcleos, formando um deles  mais pesado e também liberando uma grande energia. As condições para que essa união aconteça não são fáceis de reproduzir: precisa-se de enormes temperaturas e pressão.

    Foi considerada pela primeira vez pelo físico alemão Hans Albrecht Bethe, em seu artigo “ A produção de energia nas estrelas”. Nele, Bethe explicava que era possível, através da fusão nuclear, fazer a energia que estrelas usam para brilhar. De fato, as estrelas estão em constante processo de fusão nuclear, pelas suas altas temperaturas, e pela presença de hidrogênio, os átomos das partículas estão fazendo fusão e liberando a energia que as faz brilhar. O próprio Sol é um exemplo disso, sendo uma bola gigante de hidrogênio e alcançando altíssimas temperaturas, ele está em constante produzição de fusão nuclear que, por sua vez, libera energia que chega até nós em forma de calor e luz.

    Em princípio seu uso era imaginado para fins bélicos. Depois do ”sucesso” da bomba atômica, havia o projeto de fazer uma “superbomba”. Essa superbomba não usaria mais o processo de fissão nuclear, mas sim a fusão, que libera uma quantidade ainda maior de energia e , por consequência, seria mais destrutiva. No início das pesquisas, pelas dificuldades de produção da fusão, essa superbomba não foi produzida de imediato. No entanto, temos hoje a bomba de hidrogênio, que foi testada na prática pela primeira vez em 1952, pelos Estados Unidos. Nesse teste, a bomba à base da fusão nuclear mostrou ser até 750 mais potente que a bomba atômica. Proibida de ser usada em guerras, a bomba de hidrogênio tem sua a fusão do núcleo de seus núcleos a partir dos átomos de deutério e trítio ( compostos mais leves de hidrogênio) para formação do núcleo de hélio-4 ( átomo mais pesado que os que foram unidos).

    Outro grande fim para a fusão nuclear é a produção de energia. A atual funciona também à base da fissão nuclear. Apesar de suas vantagens, esse tipo de produção de energia traz algumas preocupações, como por exemplo, o desastre nuclear acontecido no Japão, na cidade de Fukushima ou no caso Chernobyl, ocorrido na Ucrânia, em 1986. Além disso, o atual modo de produção de energia nuclear traz um problema ainda sem solução: o lixo radioativo.

    Já a obtenção de energia por meio da fusão nuclear eliminaria esses dois problemas. A produção energética por meio da fusão produziria mais energia que o atual modo. Ela diminuiria drasticamente o risco de ocorrer um acidente nuclear pois, por necessitar de um “ambiente” específico para acontecer, uma falha ou imprevisto nesse processo “freia” o processo e logo, a radioatividade não será espalhada. A radiação dos detritos resultantes da produção de energia tem nível tóxico semelhante aos detritos da produção da energia elétrico, ou seja, esse lixo não seria prejudicial como o da fissão é.

     Apesar de ter essas vantagens, tanto para a preservação ambiental como para a parte econômica, a produção de energia nuclear à base de fusão nuclear ainda não é possível. Os gastos são relativamente altos para a produção desse tipo de energia. No entanto, projetos como o ITER estão em busca da viabilidade dessa energia.