símbolo fusãoA fusão nuclear teve suas pesquisas iniciadas logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. O contexto era a guerra fria. Sendo a fissão nuclear a “sensação do momento” já que tinha sido a explicação para a potente bomba nuclear lançada pelos Estados Unidos contra o Japão na Segunda Guerra Mundial, deram-se estudos para descobrir esse novo modo de liberação de energia. As pesquisas foram iniciadas em Los Alamos, território americano e os objetivos de descoberta nessa área eram exclusivamente bélicos. Talvez a principal motivação para a exploração dessa área tenha sido a intenção de construir uma “superbomba”: uma bomba ainda mais forte que a bomba atômica que funcionaria à base da fusão nuclear. 

Uma das principais dificuldades iniciais da pesquisa desse campo era que, para conseguir que dois núcleos podessem se chocar para formar um terceiro mais pesado, seriam necessárias altas temperaturas e uma enorme pressão. Essas condições necessitam de grande potencia para serem arranjadas, tanto que, no iniício, não era possível conceber que a energia produzida pela fusão nuclear fosse maior do que a energia gasta para possibilitar suas condições de acontecimento. Esse problema viria a ser resolvido com novas descobertas físicas, como a área de estudos da Física de plasmas e Física Nuclear.

Hans Albrecht Bethe, físico alemão, em março de 1939 publicou o artigo "A Produção de Energia nas Estrelas", propondo que, a partir da fusão nuclear,poderia se produzir a energia que as estrelas produzem para brilhar. Além de ganhar o prêmio Nobel de 1967 Bethe é considerado o primeiro a citar a ideia de fusão nuclear.

Nome importante para a Física, de uma modo geral, Enrico Ferir teve grandes contribuições também no campo da Física Nuclear. Professor da Universidade de Roma, Ferir deu declarações que , claramente, previa o nascimento desse campo de pesquisas na Física: "A única possibilidade de novas grandes descobertas da Física reside no fato de podermos modificar o núcleo interno do átomo. Este será um trabalho verdadeiramente digno da Física futura". Além disso, Ferir já previa outro fato que viria a acontecer posteriormente: o modo usado para atingir algum núcleo seria por meio de aceleração (por meio de alto calor e pressão) de partículas de forma a fazer com que as mesma possam colidir, liberando grande energia. Essas declarações, que representam o começo de seu trabalho com Física Nuclear e um princípio para que ocorresse a fusão e a fissão nuclear fazem parte de seu trabalho "Societã Italiana per il Progresso delle Scienze", em Florença, fato que ocorreu em 1929.

Em 1958, aconteceu a conferência “átomo da Paz”, realizada em Genebra. O evento motivou a troca de informações mundiais sobre as descobertas relativas à fusão nuclear. Isso era necessário porque, por ter grande valor militar, os estudos e descobertas relativos a esse assunto foram sempre tratados de forma secreta pelos países que avançam nas pesquisas. A Inglaterra e a União Soviética (essa última, sendo motivada pela Guerra Fria e por saber que os Estados Unidos estavam pesquisando sobre o assunto) já tinham avanços nessa área, por exemplo, a União Soviética, em 1951, que teve seu projeto “Tokamak, toroidalnya kamera magnetnaya katushka” ( uma especie de câmera magnetizada em toroidal que poderia servir para fazer a fusão nuclear) e só viria a público em 1956.

O cenário atual das pesquisas relacionadas a fusão nuclear estão impulsionadas pelo desejo de mostrar que aplicação de fusão nuclear em bens pacíficos, como a produção limpa de energia, é viável e segura. . No entanto o alto custo para tornar possível a aplicação dessa energia faz com que não haja muita rapidez para avanços reais.

Para comprovar a viabilidade da aplicação da fusão nuclear, tem-se o projeto “International Thermonuclear Experimental Reactor” (ITER), fundado em 1992. O projeto nasceu de uma parceria entre a União Europeia, Estados Unidos, Japão e Rússia e hoje conta com mais participantes: China, Índia, Coreia do Sul, Reino Unido, França e Suíça. Funciona sob o patrocínio a Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA). O ITER consiste numa usina de energia nuclear à base de fusão nuclear. Em 1998, foi entregue um projeto para a construção do complexo responsável pela produção de energia e seu orçamento inicial foi de, aproximadamente, 6 bilhões de dólares. O alto valor para construção desanimou seus integrantes, especialmente os Estados Unidos, que se retiraram do projeto. Em fevereiro do ano de 2000, foi apresentado outro desenho de construção, mas com fins mais acadêmicos do que propriamente de produção energética, provavelmente, para demonstrar que a aplicação viável da fusão nuclear é possível. Em fevereiro de 2003 s Estados Unidos voltaram a participar do projeto.

O atual projeto de construção da usina tem valor estimado de 13 bilhões de dólares e será construído em Cadarache, França, e tem previsão de começar sua produção em 2016.